sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"Não é uma gracinha?": canalha bancária paga multa com dinheiro de pinga

 GilsonSampaio

Não é necessário ser um expert em matemática financeira para saber da importância do câmbio para a saúde econômica/financeira de qualquer país.

O CADE- Conselho Administrativo de Defesa Econômica – em outras palavras é uma agência reguladora(argh!) do mercado, um tipo de fiscal da livre concorrência.

Pois bem. Tá lá na capa do site do CADE:

Cade celebra cinco acordos em investigação de cartel no mercado de câmbio no exterior e abre nova investigação de cartel no mercado de câmbio do Brasil. Esses 5 bancos, Barclays PLC, Citicorp, Deutsche Bank S/A Banco Alemão, HSBC Bank PLC e JP Morgan Chase & CO; vão pagar, juntos,  a ‘fortuna’ de 183 milhões de...reais por práticas e manipulação do câmbio.

Ah!, sim, na celebração do acordo há a promessa de não repetirem o malfeito.

Baixou o santo de uma apresentadora já falecida: ‘não é uma gracinha!”

A canalha bancária fode o país, fode a população, ganham bilhões em euros ou dólares com a manipulação do câmbio e o Cade anuncia o dinheiro de pinga como se fosse um grande feito





O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) firmou acordos de cessação  de conduta com cinco bancos investigados no suposto cartel internacional de manipulação de taxas de câmbio. As contribuições pecuniárias são de R$ 80 milhões para o Citi, R$ 51 milhões para o Deutsche Bank, R$ 21 milhões para o Barclays, R$ 18 milhões para o HSBC e R$ 11 milhões para o J.P. Morgan.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Caos ou Trevas. Já não importa mais.

Jânio de Freitas

O carnaval institucional está muito perto de capítulos dramáticos



Aproveite: nenhum dos seus antepassados teve a oportunidade de testemunhar um nível de maluquice dos dirigentes nacionais como se vê agora. O passado produziu crises de todos os tipos. O presente, porém, não é, na sua originalidade, uma crise a mais. É um fenomenal desvario. Uma orgia dos poderes institucionais, tocada pela explosão de excitações da mediocridade e da leviandade brasilianas.

O ministro Celso de Mello cobrava ontem, no Supremo Tribunal Federal, a nossa "reverência à lei fundamental", à Constituição, e "aos Poderes da República". Qual dos próprios Poderes faz tal reverência? Ilegalidades são neles aceitas, e aproveitadas, inclusive como normas. A exemplo do custo, em "benefícios", de cada congressista, sem sequer a contrapartida de obrigações rígidas na função parlamentar; ou dos descaminhos processuais no Judiciário, nos quais o desprezo de prazos é sempre a negação da justiça merecida por uma das partes; ou da ilegitimidade de um Executivo que entregou parcelas importantes do seu poder a corruptos históricos, sem sequer despertar a administração sonolenta.

É essa natureza despudorada imposta às instituições que se eleva agora ao paroxismo. E rompe as barreiras restantes, mais aparentes que reais, na confrontação que disputa hierarquia e predominância entre os Poderes.

Presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia tem ilustrado a explosão com intervenções cíclicas talvez apropriadas, nas circunstâncias, mas inesperáveis. Já na posse, concitou os integrantes do Judiciário à união porque "unidos seremos mais fortes". Na intenção de força estava implícita a ideia de combates não perceptíveis nas perspectivas do Supremo e do Judiciário. Muito ao contrário, em um e em outro depositavam-se esperanças de solução mansa e inteligente para muitas das aspirações e frustrações da cidadania.

Em seguida a informar-nos que "o papel da Justiça é pacificar", os modos suaves e o conceito de serenidade judicial da ministra nos trazem, como a erupção de profundezas ígneas, um brado alarmante: (...) "o Estado democrático previsto tem sido, ou parece ser até aqui, nossa única opção. Ou a democracia ou a guerra". Completou-se o chamado à união do Judiciário para se tornar mais forte, mas a alternativa apresentada pelos autores do impeachment, e pelo alheamento do Supremo na ocasião, não tinha duas hipóteses.

Faz lembrar o madrilenho "No passarón", de La Passionaria. Seria uma conclusão da presidente do Supremo sobre o presente conflitivo? Uma proposta? Alguma nostalgia, talvez? Ininteligível. Sobretudo diante do que se constata: Renan Calheiros desafiou o Supremo e venceu –o que não deve ser exemplo para nenhum cidadão, por mais honra e razão que tenha. A lógica das guerras e dos privilégios é complexa demais para os não beneficiários.


No reino das extravagâncias institucionais, não cabe esperar um encaminhamento razoavelmente saudável. Os que me desancaram quando escrevi que a crise passava de política a institucional afiem, agora, os insultos: se ainda vale alguma coisa o que testemunhei, o carnaval institucional está muito perto de capítulos dramáticos. Tomara que ao menos não passem a trágicos.

Renan fica, banzé também no Supremo. E foto histórica de Moro


"As coberturas, que detém o Poder real, fingem não existir outra saída na busca do equilíbrio de contas."

Bob Fernandes 

Um dos 11 ministro do Supremo, Marco Aurélio concedeu liminar que afastou Renan Calheiros da presidência do Senado...

Gilmar Mendes, outro Supremo, defendeu o impeachment de Marco Aurélio.

Horas depois, Marco Aurélio escancarou o que está em jogo: o Poder. E expôs Gilmar, que já voava para a Suécia.

Expos o jogo de Gilmar ao cobrar da Câmara determinação de abril: instalem a comissão para analisar o impeachment de Temer.

Gilmar tem conversado com Temer, e com o alto tucanato. Ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, tuitou: "Eu avisei".

Na queda de Dilma, Joaquim Barbosa disse o que agora repete: "Foi um impeachment Tabajara, encenação que provocou desestabilização no país".

Multiplicam-se exemplos factuais pós-impeachment. Recordemos
.
Cada vez mais, parlamentares, ministros, juízes, procuradores, delegados, têm se dado o direito de agir como... Imperadores.

Impeachment consumado quando o Dinheiro Grande sentiu cheiro da inadimplência bancária. Como previsível, veio a conta dos que têm fomes: nas sarjetas, e nas coberturas.

A Reforma da Previdência proposta por Temer é choque entre fomes. Trabalhador que não mora nas coberturas ralará 49 anos para ter aposentadoria integral.

As coberturas, que detém o Poder real, fingem não existir outra saída na busca do equilíbrio de contas.

Fingem não dever mais de R$ 1 trilhão e 400 bilhões à União. Fingem não ter escondido mais de meio trilhão de dólares em paraísos fiscais...

...Fingem não saber: em 2013, última conta conhecida, 71 mil ricos tiveram isenção de impostos sobre R$ 200 bilhões.

Isenção na Pessoa Física, por fortuna oriunda de lucros ou dividendos de empresas onde são donos ou acionistas.

Estados quebrados. Praça de guerra no Rio. Manchetes com "Crise Institucional". Ao mesmo tempo, festas e prêmios. No Congresso, coquetéis.

Prêmio para Procuradores da Lava Jato. Com pose para câmeras como se fossem artistas.


Debate nacional: Temer fica ou cai? E uma foto para a História: a cabeça de Temer ao alcance da mão direita o juíz Moro cochicha e ri com Aécio Neves...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A PEC/55 a serviço do rentismo nacional

Sanguessugado do Ulysses Ferraz



A reação "nervosa" do mercado futuro de juros com um possível atraso na votação da PEC/55 sob a presidência interina do senador Jorge Viana do PT, em razão do afastamento preliminar de Renan Calheiros pelo STF, reforça uma questão fundamental: a PEC/55 não é sobre boas práticas de gestão de gastos públicos.

Trata-se apenas de um instrumento poderoso de transferência de riqueza do Estado para o setor financeiro da economia, que visa garantir a manutenção da taxa de juros brasileira como a maior do planeta, sem que haja riscos de escassez de fluxo de recursos para remunerar o rentismo nacional, em detrimento de investimentos sociais e de infraestrutura.


É para este setor que o governo golpista do PMDB/PSDB e seus aliados trabalham. É para beneficiar essa gente, e a si própria, que a grande mídia manipula o restante da sociedade com discursos ocos de "moralidade" fiscal. É disso que se trata. Todo o resto é retórica vazia.

Banditismo na veia

Gilson Sampaio


Intimismo de Moro com o campeão de delações na lava-jato denota a ausência total de decência e decoro.


Banditismo na veia.